TRANSFORMANDO RESÍDUOS DA CARCINICULTURA EM PRODUTOS DE ALTO VALOR AGREGADO
INAUGURAÇÃO DA PRIMEIRA UNIDADE DE PROCESSAMENTO DE CARAPAÇAS DE CRUSTÁCEOS JUNTO A CARCINICULTORES.
Será inaugurada, na próxima quarta feira, dia 19.10, em Itarema-Ce a primeira unidade do Brasil de processamento de carapaças de crustáceos instalada junto a carcinicultores. Esta unidade foi desenvolvido e montada pelo Parque de Desenvolvimento Tecnológico, PADETEC, juntamente com a Monteiro Pescado, com o apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura, do Banco do Nordeste do Brasil e a Polymar Indústria e Comércio Ltda.
- Esta unidade, com tecnologia e equipamentos totalmente desenvolvidos no Ceará, representa um marco na carcinicultura brasileira, pois tornará possível eliminar o grande problema de descarte de resíduos de processamento do camarão, transformando estes resíduos poluentes, desta importante atividade econômica do Nordeste, em produtos de alto valor agregado, notadamente os biopolímeros quitina e quitosana -
O PADETEC juntamente com a empresa Polymar desenvolveu a tecnologia e colocou a mesma à disposição do Ministério da Pesca que, com a sua visão sistêmica e pragmática dos problemas da carcinicultura brasileira se irmanaram à empresa Monteiro Pescados, cuja administração está implantando uma nova mentalidade ambiental no setor, e decidiram montar esta unidade piloto-modelo que vai servir de demonstração a outros carcinicultores do Brasil. O Banco do Nordeste, através do FUNDECI, consciente dos problemas ambientais do setor, decidiu também apoiar o empreendimento.
Segundo a ABCC a produção de camarão em cativeiro no Brasil foi de 80.000 ton em 2010 e deverá chegar a 90.000 ton em 2011, voltando ao recrode de produção registrado em 2003, sendo que a quase totalidade desta produção é absorvida pelo mercado interno. O nordeste é responsável por 95% desta produção. Caso esta produção seja totalmente processada estamos diante de aproximadamente 30.000 ton de resíduos poluentes (cabeças e cascas), cujo descarte é um dos principais problemas do setor, notadamente na área ambiental.
Por outro lado, a quitosana é um biopolímero derivado da carapaça de camarão que encontra cada vez mais aplicações úteis notadamente na indústria de alimentos funcionais. Esta indústria apresenta um crescimento acentuado no mundo e no Brasil já tem um grande numero de produtos lançados no mercado com o uso desta fibra natural. O livro "Quitosana a Fibra do Futuro", lançado pelo PADETEC mostra o potencial de utilização desta fibra em vários setores industriais.
A produção brasileira ainda é muito pequena e o mercado está sendo suprido por importações, notadamente da China. O potencial do Brasil para produção de quitosana, com os resíduos atuais da carcinicultura, pode chegar a mais de 600 toneladas/ano o que seria suficiente para atender o mercado local e permitir exportação, e o que representaria um valor adicional de $20 milhões de dólares para as exportações brasileiras.
Esta unidade tem a capacidade para processar até 3 toneladas de carapaças por dia, o que representa quase 100 toneladas mensais de resíduos que deixarão de ser descartados no meio ambiente e que deverão ser transformados em mais de 2 toneladas/mês de quitosana, invertendo o vetor ambiental, transformando descartes poluentes em produtos de alto valor agregado.
O PADETEC, em parceria com a POLYMAR repassou a tecnologia e vai continuar a apoiar e orientar a Monteiro Pescados, empresa responsável pela administração e funcionamento desta unidade, que deverá ser auto-suficiente em termo de recursos e matéria-prima. Espera-se que o efeito demonstrativo ora iniciado possa servir para replicar este projeto em outras fazendas do Ceará e do Nordeste, contando-se com o apoio indispensável do Ministério da Pesca e Aquicultura que acreditou, através da sua equipe técnica e na pessoa do Ministro, no presente projeto, que sem dúvidas vai representar um novo marco na carcinicultura brasileira.











